Líderes 2.0

Introdução

O cenário atual em relação às discussões sobre a governança da Internet realizadas pelas NRI na América Latina e o Caribe mostra um avanço para a presencialidade, e com isso, a consolidação do debate sobre questões de impacto para as comunidades, cada vez mais as NRI são parte crítica dentro de seus ecossistemas, realizando ações que contribuem para destacar e trabalhar os temas relevantes e de impacto nas políticas públicas para suas comunidades. A fim de apoiar seus objetivos de avançar nas agendas digitais com políticas públicas sob um processo de baixo para cima e com participação multissetorial, o Líderes 2.0 continuará priorizando o trabalho intersessional, as comunidades sub-representadas e os intercâmbios peer-to-peer, fornecendo uma plataforma cada vez mais consolidada para que as vozes dos candidatos bem-sucedidos sejam ouvidas em voz alta.

Em seu terceiro ano, a edição 2022 do Líderes 2.0 continuará a fornecer suporte fundamental às comunidades locais de governança da Internet para pesquisar assuntos selecionados sob seu formato de bolsa e tutoria, e ampliará a conscientização sobre esses problemas em toda a região e até no mundo.

Objetivo

O programa visa fornecer financiamento e tutoria aos candidatos selecionados para pesquisar e apresentar conhecimentos mais detalhados sobre tópicos selecionados da Governança da Internet (GI), conforme percebidos nas suas comunidades. Esses projetos de pesquisa têm como objetivo aumentar a conscientização sobre questões de GI na América Latina e o Caribe, e serão destacadas no site do LACNIC.

Os projetos devem ser únicos e não devem duplicar os corpus de pesquisa existentes sobre questões regionais da GI, mas sim complementar o conhecimento existente na área. As perspectivas únicas e diversas serão altamente valorizadas. Os vencedores anteriores do Líderes devem esperar um mínimo de dois (2) anos antes de serem elegíveis para se candidatarem novamente. Os candidatos que não foram selecionados anteriormente podem se candidatar de novo. 

Áreas temáticas

Desenvolvimento inclusivo da Internet: impacto nos Direitos Humanos

O acesso significativo que contribui para o bem-estar das pessoas e sociedades está intrinsecamente ligado à proteção dos direitos humanos. A proteção destes é essencial não apenas para a continuidade nas respostas que deveram e devem ser dadas no contexto da pandemia, mas também para o pleno usufruto da Internet nas questões sociais. O ponto principal a ser abordado é manter a proteção dos direitos humanos on-line, principalmente diante do aumento da dependência digital para nossas funções do dia-a-dia e os limites entre a vida “on-line” e “off-line”.

Os projetos nesta área podem abordar, entre outras coisas: o acesso e a conectividade, a inclusão digital, a liberdade de expressão perante a censura, a proteção de dados e a privacidade, as questões de direitos e liberdades de gênero, a vigilância on-line, o acesso a informações verdadeiras, o tratamento de notícias falsas e a democracia.

Segurança e confiança: Cooperação reforçada

A confiança e a sensação de segurança no mundo digital são fundamentais para que a Internet continue desenvolvendo seu potencial como uma ferramenta de empoderamento, canal de liberdade de expressão e motor de desenvolvimento econômico. No entanto, a segurança na Internet pode ser ameaçada de várias formas. Perante esta situação, as abordagens colaborativas que reconheçam os papéis e responsabilidades dos sistemas e usuários são essenciais. Nos últimos anos os ataques cibernéticos aumentaram, tornando os planos de segurança cibernética mais críticos tanto em nível organizacional quanto nacional. É necessário enfatizar nas capacidades técnicas para monitorar, detectar, denunciar e resolver os incidentes cibernéticos, uma vez que suas características evoluem ao longo do tempo. A cooperação interinstitucional e internacional é necessária para que haja uma prestação de justiça efetiva em face dos crimes cibernéticos.

Os projetos nesta área podem abordar entre outras questões, a higiene cibernética; a confiança e a mídia; a luta contra a desinformação; as práticas e padrões de segurança cibernética; os ataques e conflitos cibernéticos; a existência de políticas de cooperação; a segurança digital para todos; os impactos econômicos e técnicos dos incidentes de segurança cibernética, e a segurança, estabilidade e resiliência da infraestrutura da Internet.

A Internet e a produtividade

Uma resposta de emergência típica aplicada durante a pandemia da COVID-19 e que continua a ser aplicada em muitos casos em todo o mundo, foram as medidas de confinamento e o teletrabalho. Essas tentativas de manter a produtividade e o bem-estar das pessoas tiveram o efeito desejado em face de perdas de empregos, aumento de dívidas e falências comerciais? Em termos de recuperação econômica, vemos resultados sustentáveis desde a adoção em massa de ferramentas e práticas digitais? A OCDE afirma que o teletrabalho poderia se manter como uma característica permanente no futuro, o que coloca em perspectiva a possibilidade de políticas públicas "de baixo para cima" que padronizem esta prática.

Os projetos nesta área podem abordar, entre outras questões, a atualização de habilidades versus digitalização (upkilling), os nômades digitais, a continuidade das práticas de teletrabalho em nível nacional e organizacional, os trabalhadores independentes remotos nos mercados globais, o impacto da pandemia na terceirização dos processos de negócios (BPO), as novas relações empregador-empregado resultantes do teletrabalho, o futuro do trabalho, e Educação online.

Riscos da Fragmentação da Internet

Os princípios que têm sustentado o sucesso da Internet são responsáveis por atender às diversas necessidades da sociedade. Assim, buscamos manter uma Internet aberta, livre e interoperável que garanta o acesso a todos os conteúdos da Internet de forma aberta e acessível para os usuários, bem como a continuidade da implementação dos padrões e protocolos técnicos comuns para conseguir uma rede de redes interconectadas entre países e regiões. O risco de fragmentação e de uma Internet "atacada" por diferentes ações está cada vez mais próximo, seja técnica e comercialmente ou por meio de regulamentações que impedem o desenvolvimento de modelos de negócio inovadores para favorecer a conectividade de comunidades ignoradas, ou oferecer oportunidades de negócios para pequenos players.

Alguns regulamentações que visam atacar problemas reais, tem verdadeira intenção é ser um instrumento de controle e coerção, que prejudica o funcionamento técnico da Internet.

Os projetos nessa área podem abordar, entre outros temas: a Internet aberta; interoperabilidade; censuras, blecautes da internet; bloqueio de conteúdo; neutralidade da rede; DNS; IXP; melhores práticas para limitar o acesso a conteúdo ilegal sem prejudicar o conteúdo legal.

Os resultados podem ser apresentados em diversos formatos como publicação digital com gráficos, animações ou vídeos, podcasts e infográficos, etc.

Destaques da edição 2022 do Líderes 2.0 

  • Acesso a financiamento de U$S 1500
  • Acesso a um mentor com conhecimento sobre questões globais da GI
  • Período de três meses para a realização de um mini projeto de pesquisa
  • Os resultados podem ser apresentados como uma única postagem, vídeos, animações, um conjunto de brochuras digitais, uma série de podcasts e infográficos ou um formato original de sua escolha
  • O trabalho resultante será apresentado no site do LACNIC e divulgado através dos canais de comunicação do LACNIC.
  • Reconhecimento regional de sua propriedade intelectual e sua opinião sobre um problema enfrentado pela sua comunidade
  • Possibilidade de participação posterior no Programa Policy Fellowship do LACNIC, programa voltado à inserção na GI por meio de diferentes instâncias de capacitação e relacionamento com a vida institucional do LACNIC.

Quem pode se candidatar?

Este programa é aberto, entre outros, a coordenadores do NRI, estudantes universitários, pesquisadores acadêmicos, jornalistas, responsáveis políticos, pesquisadores independentes e comunidades técnicas. Candidaturas de particulares e colaborações entre particulares serão aceitas. Praticamente, qualquer pessoa que tenha se envolvido na governança da Internet na sua comunidade e/ou que possa demonstrar uma grande capacidade para conduzir uma pesquisa sucinta e de qualidade pode se candidatar. O Líderes 2.0 tem como alvo indivíduos e/ou colaborações entre indivíduos e não entidades. 

Quais são os critérios de seleção? 

Espera-se que esses pequenos projetos de pesquisa criem novos conhecimentos e contexto para as questões da governança da Internet na América Latina e o Caribe. Os critérios que o Comitê de Seleção vai aplicar para avaliar as candidaturas são:

  • Alinhamento com as áreas temáticas a serem financiadas
  • Coerência na definição do problema
  • Originalidade
  • Diversidade (geográfica, gênero, stakeholder)
  • Diversidade de partes interessadas (quando há participação de colaboradores)

Os projetos devem ser únicos e não devem duplicar os diferentes corpus de pesquisa existentes sobre questões de governança da Internet regional, mas sim complementar o conhecimento existente na área. 

Aconselhamos os candidatos a evitarem as questões relacionadas à política interna, religião e/ou qualquer argumento discriminatório que seja injustamente direcionado e prejudique qualquer parte interessada em sua comunidade local.

LACNIC não apoiará explicitamente nem se responsabilizará pelas opiniões ou pelo conteúdo produzido nas entregas finais.

Líderes 2.0 não financiará:

  • Candidaturas originadas fora da América Latina e o Caribe (deverão demonstrar claramente a sua participação na região)
  • Organizações políticas ou religiosas
  • Atividades de promoção dos corpos de pesquisa existentes
  • Complementos para outras bolsas de pesquisa –o LACNIC pretende publicar os trabalhos finais no seu site sem reservas
  • Atividades com fins lucrativos
  • Pesquisas que não sejam de autoria não são sustentadas
  • Despesas não relacionadas à realização da pesquisa e divulgação de seus resultados

Como é o processo de seleção?

Os candidatos deverão entrar em https://lideresform.lacnic.net/ e preencher um formulário de candidatura que será preenchido e enviado na íntegra on-line. As candidaturas serão avaliadas com base em critérios pré-estabelecidos por um Comitê de Seleção formado por quatro referentes da IG regional e dois membros da equipe do LACNIC. Duas semanas após o encerramento da "Chamada de Candidatos", os candidatos serão informados se as suas candidaturas foram ou não aceitas. Os candidatos selecionados (doravante, os “Candidatos”) serão informados do mentor que lhes foi designado e deverão posteriormente assinar e devolver um acordo e enviar os dados bancários ao LACNIC para receber o pagamento integral do fundo. Os candidatos deverão programar os controles com seus mentores (sujeito a seus horários/acordo) durante o período de três meses. Haverá uma primeira entrega intermediária ao mentor para avaliar o desenvolvimento e progresso da pesquisa e, ao final do período de três meses, os candidatos deverão enviar seu trabalho ao Comitê de Seleção, que será analisado pelos membros para garantir que esteja de acordo com o plano descrito no processo de candidatura e de alta qualidade. O Comitê de Seleção informará aos candidatos se o seu trabalho for aprovado, e em seguida haverá um período de recomendações de duas semanas de duração. Uma vez que o trabalho final for enviado e aprovado, ele será carregado no Portal do Projeto de Governança da Internet do LÍDERES e serão feitos resumos periódicos do trabalho de cada autor.

O Comitê de Seleção é composto pelos mentores do programa eventuais. Durante o processo de candidatura, espera-se que os candidatos forneçam uma descrição geral breve do problema percebido (colocação do problema), juntamente com um resumo da abordagem que usarão para pesquisar o problema e as formas como pretendem capturar e divulgar suas descobertas. A cada candidato bem-sucedido será designado um mentor, uma pessoa de destaque na América Latina e o Caribe que esteja envolvida na governança da Internet, e terá acesso a dez (10) horas do tempo de seu mentor para fazer perguntas preliminares e validar conceitos sobre seu projeto de pesquisa; ou simplesmente pedir conselhos gerais sobre como capturar e divulgar suas descobertas. Os resultados podem assumir a forma de uma publicação escrita, vídeos, animações, um conjunto de brochuras digitais, uma série de podcasts e infográficos ou um formato original que os candidatos possam sugerir. Espera-se que a "Chamada de Candidatos" dure um mês, e que os candidatos selecionados concluam seu projeto de pesquisa em três (3) meses. Os resultados serão primeiramente analisados ??pelo Comitê de Seleção e, uma vez aprovados, serão publicados no site do LACNIC e divulgados por meio dos canais de comunicação do LACNIC. 

Quem são os membros do Comitê de Seleção e futuros mentores?

O Comitê de Seleção 2022 será composto por:

  • Raquel Gatto
  • Alejandra Erramuspe
  • Julián Casasbuenas 
  • Claire Craig

O que acontece quando as entregas finais são enviadas?

O LACNIC irá divulgar os candidatos selecionados e seus trabalhos no seu site; também vai publicar diversos materiais de comunicação (notas de imprensa, anúncios, etc.) que contribuição ao conhecimento sobre temas sucintos de Governança da Internet na América Latina e o Caribe. Esta atividade tem como objetivo ampliar o alcance potencial dos interesses e a pesquisa dos candidatos. Mesmo assim, o LACNIC não avaliará, nem se responsabilizará pelas opiniões expressas em cada corpo do trabalho. 

Datas importantes:

  • Abertura da chamada - Segunda-feira, 13 de junho
  • Encerramento da chamada - 17 de julho
  • Avaliação das propostas pelo Comitê de Seleção - de 18 a 29 de julho
  • Comunicação de propostas selecionadas - de 01 a 05 de julho
  • Início dos projetos de pesquisa - 08 de agosto
  • Primeira entrega dos resultados da pesquisa ao Comitê de Seleção - 21 de outubro
  • Entrega final dos resultados da pesquisa ao Comitê de Seleção - 7 de novembro
  • Publicação e divulgação de projetos na sua língua original - de 21 a 30 de novembro
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