Por uma Internet mais racional na América Latina

Gabriel Adonaylo

Entrevista com Gabriel Adonaylo

O NAP da Cabase, ponto de intercâmbio de tráfego de redes Internet da Argentina, completou a instalação de um sítio de resolução de nomes regional (RIRs) providenciado por Verising. Nele, vão ser resolvidos 50M de procuras de domínios.com e .net por dia. Gabriel Adonaylo, VP do NAP, explica os passos que vêm dando para melhorar o fluxo de dados pela rede de redes. Também presta conta das ações a escala regional no mesmo sentido.

 

-TelcosIT: Quais as vantagens do acordo entre a Cabase (Câmara Argentina da Internet, Comércio Electrônico, Conteúdos e Serviços On-line) e a Verisign?

-Adonaylo: Ao instalar uma réplica do servidor, são resolvidos os domínios .com e .net (chamados genéricos – gTTL– generic Top Level Domain) no nosso NAP, que dá conexão às redes locais da Internet da maioria dos ISP. Isso significa que quando um usuário de algum ISP associado quiser ter acesso a uma página web ou correio ou FTP não vai ter resposta de um servidor localizado fora do país. Desse modo, as demoras são reduzidas (delay ou latência no jargão), porque a consulta não vai mais viajar para os Estados Unidos, pelo contrário vai se concretar em forma local. Por sua vez,  isso significa um menor consumo de banda larga internacional que paga o ISP local. Por último, também contribui à estabilidade mundial da Internet, porque caso haja um ataque de tipo distribuído, fica mais complexo operar sobre um grande número de servidores localizados em países diferentes do que atacar apenas um. Quantos mais recursos críticos existirem replicados, melhor. Pela técnica de Any Cast que utiliza a Internet, sempre vai ser usado o servidor mais apropriado para resolver uma consulta.

-TelcosIT: Que diferença tem com a reprodução do “root F” instalado em 2006?

-Adonaylo: A instalação feita em agosto do ano passado respondeu a um programa do LACNIC (Registro de Endereços Da Internet para a América Latina e o Caribe) chamado +Raízes que procura melhorar o tráfego da Internet na região. Os servidores raiz são 13 e tem dois na Europa, um no Japão e o restante nos Estados Unidos. Mas reproduções do F tem 35 no mundo todo. O LACNIC já tem instalado servidores F no Chile, Brasil, Argentina, Venezuela e o último no Equador. Nesses casos o que é resolvido é o DNS (Nome de Domínio), que é a associação de um nome, um recurso mnemotécnico, para um número IP.

-TelcosIT: Os domínios .ar também são resolvidos no NAP da Cabase?

-Adonaylo: Lamentavelmente, não. Porque melhoraria muito o tráfego dentro do país, já que conectamos à maioria dos ISP.

-TelcosIT: A todos não?
-Adonaylo: Não, a maioria. No site da Cabase pode conferir os usuários. Mas também tem que levar em conta que existem ISPs que, mesmo que não apareçam na lista, passam sim pelo NAP, porque recebem o serviço desde um associado. (NR.: Por exemplo, dos maiores operadores, Telecom Argentina não aparece na lista e a Telefônica, também não, mas sim aparecem Movistar, Telefônica Internacional Wholesale Services – Emergia – e Terra. Veja abaixo).

-TelcosIT: Quais são os outros passos previstos neste caminho de melhoras?

-Adonaylo: Para o próximo mês, temos previsto instalar a resolução de 30 ccTLDs (Contry Code Top Level Domain). São códigos de diferentes países que vão resolver no NIC, da mesma forma que com o acordo com a Verising são resolvidos os .com e .net.

-TelcosIT: A Europa costuma reclamar que seus países membros subsidiam a Internet dos Estados Unidos. Acontece a mesma coisa com a América Latina?

-Adonaylo: Sim, porque isso tem a ver com a forma como estão desdobradas as redes de fibra ótica. Se você observar um mapa vai ver que se contratar o acesso a Internet em Miami, vai ter conectividade com o mundo todo. Si fizer a mesma coisa com Londres, vai ocorrer alguma coisa parecida. Mas não há uma fibra ótica que nos ligue com Londres e sim uma com os Estados Unidos.

-TelcosIT: O que é que pode fazer a Cabase para melhorar o tráfego na América Latina?

-Adonaylo: A finalidade da Cabase é melhorar a interconexão nacional. Depois cada integrante contrata seu serviço internacional. Por exemplo, um provedor como a Comsat (além de seu cargo na Cabase, Adonaylo é executivo da Comsat) que conta com um enlace com São Paulo, vai oferecer melhor serviço àqueles clientes que procurem conectar-se com esse destino. De todo modo, a Cabase participa do LACNIC e de outros fóruns, como o NAPLA, que promovem uma melhor interconexão com a região. Tem países na América Latina como a Venezuela, que não tem nem mesmo NAP nacional. . Por isso seu tráfego pela Internet tem que passar pelos Estados Unidos. A Argentina está conectada com o Brasil, Chile e Uruguai, mas não com a Bolívia. Ainda resta para que os operadores fiquemos de acordo com determinadas práticas.

. 18/08/2007 TelcosIT > Fonte própria

 

http://www.telcosit.com/index.php?seccion=vernot.php&id=14134

 

 


Boletim periódico de LACNIC

Boletim periódico de LACNIC
Registro de Endereçamento de Internet para América Latina e Caribe

Ano 2 / Número 5 / setembro 2007

Editor responsável: Raúl Echeberría