Editorial

Raúl Echeberría

por Raúl Echeberría

Maravilhosos tempos esses que estão chegando a nossa região com a chamada convergência de tecnologias. Os novos modelos de negócios, baseados nas mudanças dos paradigmas de espaço e transferência de conteúdos, a chegada massiva da Internet aos celulares, à televisão e aos eletrodomésticos; passar de 1 bilhão de cidadãos que hoje utilizam a rede a “agregar mais 5 bilhões” como anunciava Vint Cerf numa reunião dias atrás, são alguns dos desafios resultantes das novas possibilidades que surgem dessa tecnologia. Novos riscos e o desafio de resolver novos problemas.

 

Tem, entre eles, um muito importante e diligente que é o esgotamento de endereços do protocolo IPv4.

Como sabemos, o formato de endereços atribuídos hoje aos recursos disponíveis na rede, como por exemplo as páginas web, é o sistema atual chamado IPv4 (por protocolo da Internet versão 4) e tem a possibilidade limitada de atribuir cerca de 4.3 bilhões de endereços.

Como anunciamos na reunião da Isla Margarita e na conferência de imprensa em 28 de junho passado, nas atuais condições de crescimento, o stock de endereços IPv4 vai se esgotar dentro de quatro anos.

Por sorte temos uma solução antecipada que devemos começar a implementar logo, o IPv6, que dispõe de um número imensamente maior de direções, em um formato de 128 bits.

Neste número do boletim LACNIC, Mariela Rocha desenvolve dois artigos sobre esse assunto.

O tráfego aumenta na medida em que vai aumentando a largura de banda que chega até os lares capaz de transportar um longa-metragem em poucos segundos como já está acontecendo no Japão e em alguns outros países.

Quarenta por cento desse tráfego corresponde à circulação de pacotes de texto e imagem enquanto trinta e oito por cento é propriedade dos downloads porto-à-porto. Trinta e seis por cento é utilizado para transmitir vídeo, e cinco por cento corresponde à transferência de áudio.

Essa nova realidade nos obriga à necessidade de implementar estratégias para melhorar a proteção dos sistemas durante o download de qualquer conteúdo. Randy Bush nos escreve um artigo muito interessante acerca da segurança.

Hoje, os usuários da Internet geram uma quantidade de informação que iguala à consumida em uma etapa anterior. Os blogs, YouTube, Google e as milhares de aplicações virais de redes sociais na Internet são alguns dos elementos que impulsionam a transição do usuário consumidor para um entorno de produção.

A Internet tem sido fundamental na elaboração de modelos empresariais. Neste marco a região tem uma oportunidade potenciada pela tecnologia para avançar confrontando as brechas sociais com ajuda estratégica da tecnologia, sobre isso fala José Luis Machinea, secretário geral da CEPAL em seu artigo especial para a LACNIC News: "a América Latina e o Caribe, Tempo de Ameaças e de Oportunidades".

Os números da rede são impressionantes: quase 1.2 bilhão de pessoas a utilizam, o que representa pouco mais de 17% da população mundial. Esses números implicam um crescimento de 220% da quantidade de pessoas conectadas para o período 2000/2007.

Um outro dado interessante surge ao analisar a forma em que tem evoluído geograficamente a conexão com a rede. Dez anos atrás o grupo majoritário estava localizado na América do Norte, entretanto hoje, o primeiro lugar já é ocupado pela Ásia, que reúne 36% dos usuários, atrás vem a Europa com 28%, depois América do Norte com 20% e em quarto lugar aparece a América Latina, que atinge 9.5%.

Hoje temos uns 2.5 bilhões de celulares funcionando no mundo todo. Estimamos que vai haver 3 bilhões daqui a dois anos, e na América Latina o crescimento está entre os maiores do mundo. Para muitas pessoas a primeira aproximação à Internet vai ser através desses aparelhos. O uso do celular como meio para realizar transações comerciais vai começar a ganhar protagonismo  e isso implica desenvolver novas aplicações de governo eletrônico e redes sociais.

Esse será, talvez, o meio mais rápido para aproximar-nos das a nossa região que têm ficado afastada pelas brechas lingüísticas e culturas diferentes.

O recente acordo assinado por nossa instituição conjuntamente com ARIN para aproximar e ajudar ao desenvolvimento da região do Caribe está se refletindo neste número por um descritivo artigo que Bernadette Lewis, CEO da Caribbean Telecommunications Union escreveu com exclusividade para nós.

Perante esse diverso e acelerado crescimento é necessário criar padrões que perdurem no tempo e também aproximações entre instituições que permitam a colaboração com o objetivo do desenvolvimento com o que estamos comprometidos.

 


Boletim periódico de LACNIC

Boletim periódico de LACNIC
Registro de Endereçamento de Internet para América Latina e Caribe

Ano 2 / Número 5 / setembro 2007

Editor responsável: Raúl Echeberría